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"All Colleagues with guns to the warehouse immediatly"

por chocochino, em 16.03.13

"All Colleagues with guns to the warehouse immediatly" (todos os colegas com armas/pistolas, dirijam-se ao armazem imediatamente) ouviu-se de repente no sistema sonoro da ASDA durante a tarde.

 

Se estivesse a trabalhar nos Estados Unidos se calhar teria ficado preocupado e intrigado sobre o que se estaria a passar no armazém para solicitarem pessoal armado.

 

Estaria um tiroteio prestes a iniciar-se em Fleetwood... Todos os clientes do supermercado continuavam nas suas compras indiferentes ao anúncio, portanto algo me levava a suspeitar que nada de muito grave se estaria a passar.

 

"All Colleagues with guns to the warehouse immediatly" ouviu-se novamente no sistema sonoro agora com mais urgência. Ou não há colegas armados ou eles não estão a colaborar.

 

Intrigado ia para perguntar a uma das minhas colegas da farmácia o que se estava a passar quando um colega de outro departamento passa pelo balcão, não com uma arma mas a perguntar se tinha-mos alguma na farmácia...

 

Certamente não está a perguntar por uma arma de fogo...

 

De repente fez-se luz! Não se trata de uma arma de fogo mas sim de uma pistola de leitura de códigos de barras...

 

 

 

 

 

E afinal estavam a preparar uma acção promocinal para o lançando em DVD do novo filme do James Bond e precisavam figurantes!

 

Um pouco de animação faz sempre bem!!!

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publicado às 17:42

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades de emigração...

por chocochino, em 03.03.13

Há 8 anos atrás quando emigrámos para a Irlanda todos os nossos amigos e familiares se interrogavam porque razão queríamos emigrar se existia emprego em Portugal. Tratar de todos os documentos necessários para a inscrição na Ordem dos farmacêuticos da Irlanda (PSI) demorou uma eternidade porque ninguém sabia como processar os documentos necessários e nos perguntavam igualmente se não havia emprego em farmácia em Portugal. Depois começamos a trazer os relatos da experiência, da vida por lá e dos ordenados e a estranheza começou a dar lugar à curiosidade.

 

Há 3 anos quando nos decidimos a partir para a China, no início do período da recessão por toda a Europa, os comentários de que éramos malucos em querer ir dar aulas de inglês para o outro lado do mundo eram constantes, principalmente porque tínhamos emprego e casa na Irlanda. Depois começamos a partilhar experiências das aulas e aventuras pelo país através de mails e blogs e a estranheza desta vez continuou mas suscitou alguma curiosidade e muita atenção.

 

Mais tarde quando regressámos a Portugal a estupefacção com as nossas escolhas mantinha-se: "O quê, querem voltar para Portugal? Estão malucos! Vão-se mas é embora!". Desta vez ao contrário do esperado não se tratavam apenas de comentários de velhos do restelo e o regresso revelou-se mais complicado do que o esperado.

 

Quando parti para Inglaterra, em mais uma etapa internacional, a estupefacção foi inexistente e o apoio generalizado, talvez o espelho do estado da nação: O último a sair que apague a luz... Tratar de todos os documentos foi de uma simplicidade inesperada e todos os departamentos e instituições estavam mais que familiarizadas com o processo de emigração de farmacêuticos.

 

Agora, 6 meses passados, tenho sido surpreendido por inúmeros contactos de colegas farmacêuticos de várias gamas etárias interessados em saber mais sobre a minha experiência profissional em Inglaterra e na Irlanda e alguns também curiosos com o percursos pela China.

 

Assim para todos esses afectados por esta mudança de vontades de emigração aqui fica um apanhado das dúvidas gerais que me têm colocados sobre ser farmacêutico em Inglaterra:

 

- Cada vez existe mais competição e o número de vagas disponível diminui, sendo particularmente mais difícil para quem não tenha experiência. Estando também a abertura de novas farmácias a diminuir.

 

- Farmácia comunitária, designações de postos:
 * Superintendent pharmacist - Responsável técnico por várias farmácias numa cadeia
 * Pharmacy Manager - Director técnico de uma farmácia (é o que faço de momento)
 * Support Pharmacist - Segundo farmacêutico numa farmácia onde existe um Pharmacy Manager
 * Relief Pharmacist - Farmacêutico que cobre dias em diferentes farmácias dentro da mesma cadeia de farmácias (normalmente requerem viatura própria)
 * Locum - Farmacêutico empregado por conta própria que cobre dias em diferente farmácias

 

Com a excepção de farmácias muito movimentadas é comum apenas existir um farmacêutico por farmácia (3 farmacêuticos cobrem todos os turnos de uma farmácia de 100hs)

- Inscrição na Ordem do Reino Unido (GPhC)
 * http://www.pharmacyregulation.org/registration/registering-pharmacist/eea-qualified-pharmacists
Os requisitos podem parecer complexos mas até que não são:
      + Na nossa ordem tratam de 2 dos papeis e enviam-nos em ingles directamente para a GPhC.
      + O diploma se estiver em latim pode ser um pouco mais dificil mas só é necessário arranjar um tradutor e enviar a tradução.
      + A cópia do passaporte tem de ser autenticada por um advogado registado no Reino Unido mas existem alguns em Portugal com esses requisitos a embaixada pode providenciar os contactos.     
      + Certidão de nascimento já vem em inglês.
      + E acho que além disto só falta uma fotografia assinada por alguém que certifique que somos nós.
Todo o processo, incluindo o 1o ano de quotas fica em cerca de 500€

 

 

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publicado às 13:54

a mulher ideal...

por chocochino, em 24.01.13

Continuo maravilhado com as difenças culturais que existem entre a nossa cultura e a cultura muçulmana.

 

A maioria dos locums farmacêuticos são de descendência asiatica, nomeadamente India e Paquistão, já nasceram no Reino Unido mas continuam a ser educados e a viver de acordo com as suas crenças da sua cultura.

 

Um desses farmacêuticos com quem tenho trabalhado vários dias chama-se Usman e tem-me posto a par de várias perolazinhas da sua cultura sendo esta sem dúvida a frase da semana:

 

"O casamento é como comprar um carro novo, ao início estranha-se, até podemos não o amar, mas ao fim de algum tempo aprendemos a gostar dele..." e com esta fiquei de queixo caído.

 

Vindo esta conversa na sequência do facto de o Usman ter 27 anos ainda não estar casado e os pais dele e a família toda andarem em conversações para arranjar o casamento, prática perfeitamente comum em que segundo o Usman entre conhecer a rapariga e o dia do casamento é normal passarem apenas umas semanas.

 

Andando o Usman muito angustiado sobre qual das potenciais noivas escolher daquelas propostas pela família, ainda no fim de semana passado teve de excluir uma porque, a maluca da rapariga gostava de ir ao ballet... imagine-se... quando podia muito bem utilizar esse tempo para ir à mesquita...

 

Detalhando-nos de seguida os 4 requisitos que ele procura numa mulher:

 

- ordenado - ao contrário do imaginado um ordenado muito elevado é mau e ser maior que o do marido nem pensar...

- religião - tem de ser religiosa e ir à mesquita (nada de ir ao ballet)

- dar-se bem com os pais dele - pois depois do casamento vão todos viver para casa dos pais dele como é tradição.

- propriedades - este ponto ele não explicou bem mas imagino que seja uma coisa boa pois devem passar a ser bens do casal.

 

Ao que uma das minhas colegas pergunta:

- Então e amor, não é importante?

 

Ao que ele responde

- O casamento é como comprar um carro novo...

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publicado às 09:24

Never a dull moment at ASDA...

por chocochino, em 02.12.12

Se pensam que trabalhar numa farmácia de hipermercado é coisa aborrecida, estão muito enganados.

Muitos momentos houve em tive imensa pena de não ter uma máquina fotográfica a jeito, eis senão que hoje descubro que existe um site da Asda de Fleetwood com fotos de todos esses momentos...

 

http://greenroom.asda.com/fleetwood

 

Para quem não tiver paciencia para o link anterior, aqui ficam (apenas) alguns dos melhores momentos:

 

1. O grande momento solene da abertura da farmácia:

Da Esq para a Dir: O Manager da Farmácia (eu), a assistente (Jackie), O director geral do hipermercado (Andy) e a vedeta do clube local de futebol (Chris Maxwell) no 1o dia oficial.
2. A promover a farmácia:
4 das 6 assistentes da farmácia: Julie, Jackie, Annie e Charlotte
Outra das assistentes: Bev
3. A sofrer por uma boa Causa (mas sempre com um ar estoico!)
um dos colegas das caixas do supermercado: James a voluntarizar as suas pilosidades em prol de contributos para organizações de caridade. Na maioria das vezes não sei o que se passa no hipermercado e assim foi neste dia em que ao voltar da minha hora de almoço e ao transpor a entrada principal me deparo com este cenário... Never a dull moment...
Outro estoico colega do hipermercado
4. Pijama day
James (antes da depilação) e o Pudsey Bear
O Pudsey já por lá andava à alguns dias a ser fotografado com criancinhas a troco de donativos para uma outra organização de caridade mas neste dia para meu grande espanto quando entro no escritório deparo-me com a maioria dos colegas vestidos de pijama... hah, já me tinha esquecido que hoje é "Pijama day" (eles afinal levam isto a sério...)
5. Limpeza da praia de Fleetwood
O meus chefes a dar o exemplo: Craig, Zara e Andy
Mal posso esperar para saber o que se segue no departamento de projectos de apoio à comunidade...

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publicado às 14:16

Farmácias e farmacêuticos por cá

por chocochino, em 11.11.12

Tendo em conta que emigração não é só passeio e comida falta abordar a questão profissional que acaba por ocupar uma grande parte do nosso tempo.

 

Depois da incerteza e insegurança que acompanha a adapação inicial a um novo país e um novo sistema, acrescida do facto de lidar-mos com situações que afectam a saúde e bem estar das pessoas, creio que tudo se começa a encaixar e a fazer sentido e tudo o que no inicío poderiam parecer situações inultrapassáveis fazem agora parte do passado.

 

Tendo em conta que a farmácia que vim gerir era uma farmácia nova em que nenhum do staff alguma vez tinha trabalhado nesta área (vinham de outras secções do hipermercado ou tinham trabalhado anteriormente em pubs) e eu (recém chegado ao país) é que tinha de lhes explicar o funcionamento das coisas (muitas das quais novidade para mim) até que tudo correu bem, elas (as colegas), apesar de pouco sabedoras da área da saúde são muito esforçadas e motivadas por aprender e aliado à cultura da Asda estão habituadas a hierarquia e rapidamente seguem as minhas ordens e orientações. Tudo isto faz com que não haja grande dificuldade de implementação de novos métodos, nem resistência a qualquer tipo de mudança.

 

Após o primeiro mês de abertura da farmácia temos sido bastante elogiados pelos nossos resultados (a nível do valor de vendas), mas que tem muito a vez com a nossa localização junto a uma clinica de urgencias e o facto de quase toda a terra vir fazer compras à Asda. Mas é sempre bom ser-se elogiado!

 

Quanto à profissão em si, existem algumas diferenças em relação à Irlanda e uma imensidão em relação a Portugal:

 

- Uma das principais é a nível cultural, aqui a lei é seguida à risca, não há as zonas cinzentas que havia na Irlanda, nem a miscelânia de cores que há em Portugal e assim nem nunca ninguém sequer se lembra de ir à farmácia pedir um antibiótico sem receita (o que facilita bastate a vida ao farmacêutico).

- A dispensa é em dose unitária como na Irlanda.

- Todas as receitas passam pelas mão do farmacêutico que é o responsável final por tudo o que ocorre da farmácia. Aqui ainda são mais rigorosos do que na Irlanda e nenhum produto exclusivo de farmácia pode ser vendido (sejam OTCs ou mesmo receitas já prontas à espera que o paciente as venha buscar) sem que o farmacêutico esteja presente, no espaço físico da farmácia, e assim muitas vezes quando volto depois de uma ida à casa de banho tenho a assistente de balcão com uma caixa de paracetamol (por exemplo) na mão em frente à caixa registadora e um cliente em frente à espera que eu chegue para fazer a venda e para os cliente é perfeitamente normal e sinal de que as coisas são feitas com segurança.

- A nível de serviços clínicos encontro a maioria das diferenças, pois aqui aposta-se muito na participação das farmácias comunitárias na prestação de serviços, como, testes de colesterol, diabetes e hipertensão, revisão de terapêutica, acompanhamento de pacientes que recebam medicamentos novos (consulta inicial de explicação, contacto após 2 semanas e consulta final ao fim de 1 mês a fim se averiguar se o paciente está a encontrar alguma dificuldade com a nova medicação), consulta e dispensa pelo farmacêutico de certos inaladores para a asma, viagra para a disfunção erectil e medicação para prevenção da malária.

 

Conclusão: está a ser uma boa experiência e certamente, ainda com muita coisa por descobrir

 

PS: Novo post com respostas às perguntas mais frequentes sobre a emigração para o Reino Unido / Inglaterra

http://nadadebaixodacama.blogs.sapo.pt/4594.html

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publicado às 18:22

Na cozinha com o Alex

por chocochino, em 02.11.12

Até soa bem para um programa de culinária, mas não, é apenas uma pequena incursão à culinária de fusão que faz parte do meu dia a dia, em que pratos tipicos portugueses mas com ingredientes de cá se misturam com influências de outras partes do globo.

 

FAZENDO CARIL TAILANDÊS DE CORGETE, ARROZ BRANCO E CAFÉ

 

Açorda de aipo com pão de centeio e linhaça - tipicamente português com um toque britanico

 

Esta semana comprei uma embalagem de aipo e assim passei a incorporalo em quase tudo o que cozinhei. Trata-se de um vegetal curioso, algo fibroso, mas que confere uma certa frescura e leveza aos pratos.

Ingredientes:

- Aipo

- Pão de centeio e linhaça (feito pelos senhores padeiros da asda)

- cebola

- cebolinho

- tomate

- alho e oregãos

A acompanhar com fish cakes de bacalhau (uma mistura de peixe, pao e ervas, panada que se compra congelada para ir ao forno)

 

Galette de atum - de influencia francesa

 

Ainda na temática do aipo...

Ingredientes:

- Couve

- Aipo

- Cebolinho

- Atum

- Farinha, ovos e leite

- Sal, pimenta de cayena e noz moscada q.b.

- queijo

Depois de gratinar no forno... Lindo!

 

Gnocchis com aparas de salmão fumado - invenção dos italianos

 

Mais uma vez o aipo (e o cebolinho também)

Ingredientes:

- uma embalagem de gnocchis (bolinhas de puré de batata e farinha)

- salmão fumado

- aipo, cebola, tomate e cebolinho picados

- mostarda

- cottage cheese (um queijo algo liquido)

- pimenta cayena

Cozidos os gnocchis é só envolver e apreciar... humm... e o aipo confere uma certa explosão de frescura sempre que se trinca, contrabalançando com o picante da mostarda e da pimenta cayena.

 

Gulash de lentilhas - gulash é um prato hungaro que se caracteriza pelo sabor a paprika e kummel (tipo cominhos) tendo em conta que eu só usei pimneta cayena não sei se lhe deveria chamar gulash... fica a influência

 

Ingredientes:

- Cebola, alho e aipo

- cogumelos frescos

- carne picada

- 1 lata de tomate pelado

- lentilhas vermelhas

- bastante pimenta de cayena

- pimentos jalapeños

 

Não recomendado a estômagos fracos ;)

 

Dublin Coddle - "Confort food" para dias frios e húmidos (que por vezes surgiam na Irlanda)

 

(finalmente acabou-se o aipo)

Ingredientes:

- batatas cortadas em rodelas não muito grossas

- cebola

- cebolinho

- cogumelos frescos em pedaços

- salsichas frescas de peru

Vai tudo a refogar: a carne vai libertando o seu suco que se envolve com o dos legumes juntando-se o aroma do cebolinho, criando um prato saboroso, suculento e reconfortante... Nice!

 

FAZENDO DUBLIN CODDLE

 

No Domingo estava um temporal tremendo lá fora, não tinha pão para lanchar, e não me apececia nada ir ao supermercado, especialmente tendo em conta que no dia seguinte tinha que ir para lá trabalhar e podia muito bem comprar a comida para a semana. Assim abri o armário (quase vazio) e juntado algumas coisas, quais peças de puzle acabei por encontrar uma solução bastante agradável:

Tortilhas com puré de banana, gengibre doce e canela:

 

Ingredientes:

- bananas bastante maduras

- gengibre doce em conserva

- tortilhas

- canela e açucar

Esmagar as bananas e o gengibre em conserva com um garfo, juntar canela. Enrolar as tortilhas com esta mistura, polvilhar com açucar e canela e levar ao forno a tostar... Delicia...

 

Por agora chega, que está a chegar a hora do almoço e tenho que preparar qualquer coisa antes de ir trabalhar.

 

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publicado às 10:21

Eid, Locums e Muçulmanos

por chocochino, em 27.10.12

Ontem foi o dia do 'Eid' - a celebração do fim do Ramadão que é um dia de grande importância na religião Muçulmana, em que a família se reúne para rezar e comer (há que matar saudades de tudo o que não se pode comer durante o Ramadão) é algo equivalente ao nosso Natal, talvez tirando a parte de rezar que tenho a dizer que todos os Mulçulmanos que tenho conhecido ultimamente (e são bastantes) levam muito a sério interrompendo o seu trabalho a determinadas horas do dia para rezarem.

 

Portanto ontem foi o 'Eid' mas já tenho marcado no calendário do próximo ano quando será o próximo! Não, não me estou a converter ao islamismo estou apenas a precaver as dificuldades laborais que tive no 'Eid' deste ano, passo a explicar: Como por enquanto sou o único farmacêutico da farmácia de Fleetwood, que está aberta 100h por semana tenho que recorrer todos os dias a locums (farmacêuticos freelance, empregados por conta própria) para cobrir as horas além das 45 que eu trabalho. Reflexos da situação económica em geral e da farmacêutica em particular a abundância de emprego de outrora, tal como em Portugal, também em Inglaterra começa a dar sinais de mudança e também no mercado dos locums há cada vez mais oferta em em relação à procura o que são boas noticias para mim na posição de necessitar de contratar locums, mas mau para o futuro da profissão...

 

Portanto, actualmente, com cerca de 4 semanas de antecedência começo a tratar de preencher os tais turnos que preciso e para tal envio um email a uma lista de farmacêuticos locum da base de dados da Asda e normalmente 10 a 30 segundos depois de primir o botão enviar estou a receber o primeiro telefonema (viva a internet nos telemóveis) e ao fim de 10 minutos tenho um mês de turnos preenchido (depois passo o resto do dia a receber telefonemas e a explicar que todos os turnos já foram preenchidos). Excepto para o caso do dia de ontem 26/10/12 em que não encontrava ninguém disponível, até que um dos locums que tem cá vindo trabalhar (muçulmano), há algumas semans atrás me explicou tudo isto do 'Eid' e associado ao facto de 80% dos locums da lista se chamarem, Mohammed, Ahmed, Sabir, Imran, Usman, Yssuf e outros que tais a soar a árabe e ao seu elevado fervor religioso explicou a dificuldade de encontrar um locum para o dia de ontem. Eventualmente, enviar mais de 100 emails lá consegui 1 locum para fazer um horário reduzido da parte da tarde de ontem (caso contrário tinha de fazer o turno de 16h depois de ontem ter terminado às 23h00). Assim já sei, para o ano que vem nada de tirar férias no 'Eid' e se precisar de um locum o melhor é marcar com antecedência e conseguir um que seja espanhol ou do leste europeu (os mais abundantes, depois dos muçulmanos).

 

Ainda na temática dos locums Muçulmanos, que tal como disse constitui a maioria dos locums, tem sido bastante interessante trabalhar com eles e aprender um pouco mais sobre a sua cultura e costumes, pois por vezes as ideias preconcebidas que temos são em muito influenciadas pelos meios de comunicação social ou por mensagens transmitidas por filme mais ou menos preocupados com a realidade. Assim estava no outro dia a conversar com o Mohammed, que interrompe o seu turno a horas específicas para se fechar na sala de consultas durante 5 min para rezar, e que naquele dia estava constantemente a receber telefonemas em que falava em arábico e depois lá pedia desculpa por ter que atender os telefonemas mas que se tratava de uma situação familiar preocupante (talvez algum caso de doença, um acidente ou algo género pensei eu), não, o drama familiar era o facto de o irmão dele que é 2 anos mais velho (26 anos) não estar casado e aparentemente naquele dia as famílias estavam a arranjar o casamento dele com a noiva. Aparentemente, é mesmo assim que os casamentos se processam (tal como o do Mohammed), os pais combinam os casamentos, as famílias encontraram-se, combinam tudo, e eventualmente os noivos lá se conhecem. Além da religião eles levam o casamento e o dever de procriação muito a sério - O Mohammed terminou o curso há 6 meses, está casado á 6 meses e 1 semana e a 1ª criança chega em Abril. Curiosos são também os casamentos que em norma têm cerca de 2000 pessoas (incluindo familiares distantes que se vêm pela primeira vez no casamento) ao a minha 1ª pergunta foi: onde é que conseguem por tanta gente? Ao que a resposta não foi menos surpreendente: comem à vez, arranjam um sitio com lugar para 200, vão entrando, vão comendo e vão saíndo e dando o lugar aos seguintes... Diferentes culturas...

 

E assim têm sido estes dias de descoberta no mundo dos 'Eids', locums e muçulmanos

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publicado às 14:50

CSI - Fleetwood, ou brincando aos detectives

por chocochino, em 20.10.12

Completada que está a 3ª semana como pharmacist manager em Fleetwood tenho a constatar que o a farmácia se está a implementar muito bem, com cada vez mais clientes, principalmente a partir das 6 da tarde quando todas as outras farmácias fecham, sim, cá não há farmácias de serviço e até a Asda ter aberto quem precisasse de medicamentos a partir das 6 da tarde tinha que esperar até às 9 da manhã do dia seguinte.

 

Além do trabalho habitual de dispensa de medicamentos tenho outras funções menos habituais, ou inexistentes, em Portugal, como consultas para dispensa de inaladores de salbutamol (alivio da asma), disfunção erectil (viagra) ou anti-maláricos (malarone) depois claro há as funções burocráticas em que todas as semanas tenho de analisar as vendas da semana anterior, o numero de horas que os colegas trabalharam e sua relação com o que estava prespectivado, há também todos os documentos legais que é necessário preencher, tipo, registos de temperatura do frigorífico, registo dos farmaceuticos responsáveis, erros de dispensa, resgisto de limpeza, etc e de vez em quando há umas quantas fugas à rotina como na sexta feira em que inicio o meu turno às 13h00 e assim que chego à farmácia vem uma colega (não colega farmaceutica, mas colega no sentido de funcionária da asda - mas que na asda não se designam de funcionários mas sim d colegas...) ter comigo a dizer que um cliente tinha estado na sala privada (para consultas, testes de colesterol e afins) e ao se levantar da cadeira tinha batido com a cabeça no armário que está junto à parede e apesar de só ter tido um arranhão não deixou de referir que aquilo podia dar azo a uma indeminização... sim isto está a ficar cada vez mais como a américa em que o mais pequeno acidente pode levar a processos legais... Assim fazendo uso das minhas 4 semanas de treino em procedimentos da Asda lá fui eu, no meu papel de detective, prontamente, buscar o 'Grab Pack' (uma pasta vermelha com vários formulários, fitamétrica, máquina fotográfica e manual de instruções) e investigar e documentar o incidente:

 

 

1º fotografar o local do crime - utilizando a máquina existente no Grab Pack fotografei uma sala vazia com uma mesa, 2 cadeiras e um computador, além de um muito suspeito armário de parede...

 

2º entrevistar e obter por escrito o testemunho da colega envolvida no caso, descrevendo pormenorizadamente o acidente: quem, quando, como, onde, porquê? Tudo isto de bloco de notas na mão... Só faltavao holofote apontado à cara da testemunha...

 

3º teria de obter a filmagem das camaras de segurança mas não existindo camaras na sala de consultas pude passar este passo à frente. Uma pena!

 

4º por tudo num envelope e submeter ao departamento legal para o caso do cliente querer apresentar queixa legal tudo estar documentado. 

 

E assim é a vida numa grande empresa!

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publicado às 15:05

Fleetwood - a Stars Hollow inglesa

por chocochino, em 14.10.12

Eis que após várias semanas de expectativa da Filipa quanto à terra que nos acolherá nos próximos tempos eis que chegou o momento do contacto inicial.

 

Depois das conversas iniciais via skype de que se tratava de uma terra pequena, das visualizações via google earth em que apenas se via um café e muito poucas pessoas na rua, há que reconhecer que não eram de expectar grandes coisas cá da terra mas... Não há nada como baixar as expectativas para que estas sejam superadas e após 2 semanas em Fleetwood aqui ficam as primeiras impressões da Filipa quanto à terra:

 

"Fleetwood - a Stars Hollow inglesa

 

Em primeiro tenho que esclarecer que Stars Hollow é uma cidade fictícia da série de televisão Gilmore Girls (Tal mãe, Tal filha). Neste adorável sítio a vida passava lentamente apesar de existirem imensas personagens excêntricas e um presidente de junta empenhado em fazer daquele pacato sítio um agitado centro turístico.

 

Pois bem, Fleetwood, embora não esteja listada como uma das inspirações para criar Stars Hollow, tem o mesmo ambiente. É uma cidade pequena, onde a agitação mais profusa ocorre na rua principal. Aí podemos encontrar comércio tradicional de todas as espécies e feitios (talhos orgulhosos na sua mostra de carne fresca, pastelarias cheias de cupcakes e scones, cabeleireiros que parecem mais cafés, fish bars, etc) e um mercado coberto e a céu aberto. A população, maioritariamente idosa, faz as suas compras sem pressa, com tempo para se cumprimentarem e se sentarem nos cafés disponíveis a comer o famoso pequeno-almoço inglês.

 

Uma bica bem tirada e a preço compatível com vícios portugueses falta, de facto, nos cafés de Fleetwood (e suspeito que em todos por esta ilha). No entanto sobra em carpete (um fetiche inglês a que nem as casa alugadas escapam) e ambiente aconchegante. É óbvio que os habitantes de tal sítio não querem que um estranho se sinta mal na sua terra e portanto das vezes que fui experimentar café acabei a fazer parte das conversa que decorriam nas minha imediações, desde a habitual conversa de circunstância sobre o tempo, a outras mais sociológicamente profundas sobre os problemas da juventude de hoje em dia ou ainda sobre a temática dos peixes espanhois...

 

Depois de ler o boletim cultural da terra, uma pessoa não pode deixar de imaginar o presidente da junta igualzinho ao de Stars Hollow (Taylor). Numa cidade com cerca de 27 mil pessoas, há mais actividades comunitárias que em Lisboa (estou certa mas sem pesquisa bibliográfica). Estão disponíveis clubes de leitura, arranjos florais, fotografia, turismo, cricket, aulas de ginástica (até de qui gong!?), etc. Uma loucura! Só resta saber a média de idades de tais clubes e se não serão sempre a mesma dezena de pessoas a frequentá-los.

 

Mas a agitação não acaba aqui... também existe um local de romaria capitalista na forma de Freeport junto a uma pequena marina e uma marginal de 8 km até Blackpool. Não sei se hei-de listar a praia como parte da agitação pois o clima não me parece que ajude.

 

Hoje, para cimentar o feeling de Stars Hollow, a passear na rua deparámo-nos com um grupo de idosos a cantar que nem canas rachadas guiados por um agitado professor (certamente o resultado de um clube de coro). Mais tarde no mercado pudemos assistir às compras de um homem vestido de malmequer acompanhado por um travesti (aqui já não consigo imaginar que seja fruto de um clube).

 

E assim se vive por cá..."

 

FLEETWOOD, POR CÁ ANDO:

 

EU TRABALHO AQUI
E VIVO AQUI
GOSTO DE PASSEAR POR AQUI
E POR AQUI
COMPRO CARNE AQUI
E AQUI TAMBÉM
AQUI BEBE-SE CAFÉ
E AQUI CERVEJA
AO DOMINGO À QUEM VENHA AQUI
Foto-reportagem da vida por cá... (em seleccionados dias de sol)

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publicado às 15:24

O comboio de sexta feira para Blackpool

por chocochino, em 22.09.12

Hoje apanhei pela última vez (pelo menos de forma regular) o comboio de sexta feira entre Preston e Blackpool. Chegaram ao fim as 4 semanas de treino em Preston e para a semana começo em Fleetwood com uma semana de preparação da farmácia antes da grande abertura na semana seguinte.

 

Para trás ficam 4 semanas de treino com exercícios com extintores, passeios pelos armazéns do supermercados, conhecimento das normas de segurança de empilhadores de paletes, "escadas de aeroporto", como correctamente levantar pesos... Para quem está confuso, não, eu não vou trabalhar no supermercado, vou mesmo trabalhar em farmácia!

 

Continuo pouco certo quanto à utilidade destas 4 semanas mas tenho que reconhecer que até foi interessante conhecer o outro lado dos supermercados e atravessar todas aquelas portas assinaladas "proibida a entrada a pessoas estranhas ao serviço".

 

Voltando ao comboio de sexta feira para Blackpool, terminei eu o último dia em Preston, voltei ao hotel a buscar as malas com todos os meus pertences e arrastando tudo aquilo atrás de mim lá apanhei o autocarro para a estação de comboio de Preston onde depois de uma pequena espera lá chegou o comboio de sexta feira para Blackpool North.

 

Coloquei malas, sacos e mochila a bordo e finalmente foi recostar-me num lugar vago da carruagem onde o cheiro a alcool, o barulho de gargalhadas exageradas, conversas cruzadas e a confusão imperavam. Pelo chão passeavam pacotes vazios de batatas fritas enquanto as mesas entre os assentos eram preenchidas por garrafas de vodka, latas de cerveja ou garrafas de cidra. Estaria eu horrorizado com o cenário? Nada disso, pois este é o cenário comum do comboio de sexta feira para Blackpool. Blackpool é conhecido como um destino por excelência para despedidas de solteiro e para todos aqueles procuram diversões nocturnas e festa em geral, quer para crianças, jovens e adultos em geral.

 

Com esta descrição do comboio certamente estão a imaginar uma carruagem repleta de adolescentes alcoolizados, talvez uns quantos hooligans ou mesmo uns vandalos ou skinheads, mas aí é que está a peculiaridade da situação: em toda a carruagem eu devia ser a pessoa mais nova, pois todas aquelas vodkas, cervejas e cidras estavam a ser consumidas por diversos grupos todos eles na casa dos 50. Eram senhoras anafadas de cabelo demasiado loiro e vozes estridentes agarradas a garrafas de cerveja ou eram senhores de cabelos grisalhos  e dentes amarelados pelo tabaco que se riam das suas próprias piadas por entre garrafas de bebidas brancas.

 

Portanto, lá estava eu no meu lugar a tentar ler o meu livro por entre aquela algazarra enquanto pensando para mim mesmo não conseguia chegar a nenhuma conclusão: se aquilo que estava a desenrolar à minha volta era o cúmulo da decadência ou um sinal de vitalidade de um grupo etário que em vez de estar em casa a queixar-se da vida estava ali rumo a Blackpool com um único intuito, o da diversão.

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publicado às 14:32


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