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Eid, Locums e Muçulmanos

por chocochino, em 27.10.12

Ontem foi o dia do 'Eid' - a celebração do fim do Ramadão que é um dia de grande importância na religião Muçulmana, em que a família se reúne para rezar e comer (há que matar saudades de tudo o que não se pode comer durante o Ramadão) é algo equivalente ao nosso Natal, talvez tirando a parte de rezar que tenho a dizer que todos os Mulçulmanos que tenho conhecido ultimamente (e são bastantes) levam muito a sério interrompendo o seu trabalho a determinadas horas do dia para rezarem.

 

Portanto ontem foi o 'Eid' mas já tenho marcado no calendário do próximo ano quando será o próximo! Não, não me estou a converter ao islamismo estou apenas a precaver as dificuldades laborais que tive no 'Eid' deste ano, passo a explicar: Como por enquanto sou o único farmacêutico da farmácia de Fleetwood, que está aberta 100h por semana tenho que recorrer todos os dias a locums (farmacêuticos freelance, empregados por conta própria) para cobrir as horas além das 45 que eu trabalho. Reflexos da situação económica em geral e da farmacêutica em particular a abundância de emprego de outrora, tal como em Portugal, também em Inglaterra começa a dar sinais de mudança e também no mercado dos locums há cada vez mais oferta em em relação à procura o que são boas noticias para mim na posição de necessitar de contratar locums, mas mau para o futuro da profissão...

 

Portanto, actualmente, com cerca de 4 semanas de antecedência começo a tratar de preencher os tais turnos que preciso e para tal envio um email a uma lista de farmacêuticos locum da base de dados da Asda e normalmente 10 a 30 segundos depois de primir o botão enviar estou a receber o primeiro telefonema (viva a internet nos telemóveis) e ao fim de 10 minutos tenho um mês de turnos preenchido (depois passo o resto do dia a receber telefonemas e a explicar que todos os turnos já foram preenchidos). Excepto para o caso do dia de ontem 26/10/12 em que não encontrava ninguém disponível, até que um dos locums que tem cá vindo trabalhar (muçulmano), há algumas semans atrás me explicou tudo isto do 'Eid' e associado ao facto de 80% dos locums da lista se chamarem, Mohammed, Ahmed, Sabir, Imran, Usman, Yssuf e outros que tais a soar a árabe e ao seu elevado fervor religioso explicou a dificuldade de encontrar um locum para o dia de ontem. Eventualmente, enviar mais de 100 emails lá consegui 1 locum para fazer um horário reduzido da parte da tarde de ontem (caso contrário tinha de fazer o turno de 16h depois de ontem ter terminado às 23h00). Assim já sei, para o ano que vem nada de tirar férias no 'Eid' e se precisar de um locum o melhor é marcar com antecedência e conseguir um que seja espanhol ou do leste europeu (os mais abundantes, depois dos muçulmanos).

 

Ainda na temática dos locums Muçulmanos, que tal como disse constitui a maioria dos locums, tem sido bastante interessante trabalhar com eles e aprender um pouco mais sobre a sua cultura e costumes, pois por vezes as ideias preconcebidas que temos são em muito influenciadas pelos meios de comunicação social ou por mensagens transmitidas por filme mais ou menos preocupados com a realidade. Assim estava no outro dia a conversar com o Mohammed, que interrompe o seu turno a horas específicas para se fechar na sala de consultas durante 5 min para rezar, e que naquele dia estava constantemente a receber telefonemas em que falava em arábico e depois lá pedia desculpa por ter que atender os telefonemas mas que se tratava de uma situação familiar preocupante (talvez algum caso de doença, um acidente ou algo género pensei eu), não, o drama familiar era o facto de o irmão dele que é 2 anos mais velho (26 anos) não estar casado e aparentemente naquele dia as famílias estavam a arranjar o casamento dele com a noiva. Aparentemente, é mesmo assim que os casamentos se processam (tal como o do Mohammed), os pais combinam os casamentos, as famílias encontraram-se, combinam tudo, e eventualmente os noivos lá se conhecem. Além da religião eles levam o casamento e o dever de procriação muito a sério - O Mohammed terminou o curso há 6 meses, está casado á 6 meses e 1 semana e a 1ª criança chega em Abril. Curiosos são também os casamentos que em norma têm cerca de 2000 pessoas (incluindo familiares distantes que se vêm pela primeira vez no casamento) ao a minha 1ª pergunta foi: onde é que conseguem por tanta gente? Ao que a resposta não foi menos surpreendente: comem à vez, arranjam um sitio com lugar para 200, vão entrando, vão comendo e vão saíndo e dando o lugar aos seguintes... Diferentes culturas...

 

E assim têm sido estes dias de descoberta no mundo dos 'Eids', locums e muçulmanos

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publicado às 14:50

CSI - Fleetwood, ou brincando aos detectives

por chocochino, em 20.10.12

Completada que está a 3ª semana como pharmacist manager em Fleetwood tenho a constatar que o a farmácia se está a implementar muito bem, com cada vez mais clientes, principalmente a partir das 6 da tarde quando todas as outras farmácias fecham, sim, cá não há farmácias de serviço e até a Asda ter aberto quem precisasse de medicamentos a partir das 6 da tarde tinha que esperar até às 9 da manhã do dia seguinte.

 

Além do trabalho habitual de dispensa de medicamentos tenho outras funções menos habituais, ou inexistentes, em Portugal, como consultas para dispensa de inaladores de salbutamol (alivio da asma), disfunção erectil (viagra) ou anti-maláricos (malarone) depois claro há as funções burocráticas em que todas as semanas tenho de analisar as vendas da semana anterior, o numero de horas que os colegas trabalharam e sua relação com o que estava prespectivado, há também todos os documentos legais que é necessário preencher, tipo, registos de temperatura do frigorífico, registo dos farmaceuticos responsáveis, erros de dispensa, resgisto de limpeza, etc e de vez em quando há umas quantas fugas à rotina como na sexta feira em que inicio o meu turno às 13h00 e assim que chego à farmácia vem uma colega (não colega farmaceutica, mas colega no sentido de funcionária da asda - mas que na asda não se designam de funcionários mas sim d colegas...) ter comigo a dizer que um cliente tinha estado na sala privada (para consultas, testes de colesterol e afins) e ao se levantar da cadeira tinha batido com a cabeça no armário que está junto à parede e apesar de só ter tido um arranhão não deixou de referir que aquilo podia dar azo a uma indeminização... sim isto está a ficar cada vez mais como a américa em que o mais pequeno acidente pode levar a processos legais... Assim fazendo uso das minhas 4 semanas de treino em procedimentos da Asda lá fui eu, no meu papel de detective, prontamente, buscar o 'Grab Pack' (uma pasta vermelha com vários formulários, fitamétrica, máquina fotográfica e manual de instruções) e investigar e documentar o incidente:

 

 

1º fotografar o local do crime - utilizando a máquina existente no Grab Pack fotografei uma sala vazia com uma mesa, 2 cadeiras e um computador, além de um muito suspeito armário de parede...

 

2º entrevistar e obter por escrito o testemunho da colega envolvida no caso, descrevendo pormenorizadamente o acidente: quem, quando, como, onde, porquê? Tudo isto de bloco de notas na mão... Só faltavao holofote apontado à cara da testemunha...

 

3º teria de obter a filmagem das camaras de segurança mas não existindo camaras na sala de consultas pude passar este passo à frente. Uma pena!

 

4º por tudo num envelope e submeter ao departamento legal para o caso do cliente querer apresentar queixa legal tudo estar documentado. 

 

E assim é a vida numa grande empresa!

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publicado às 15:05

Fleetwood - a Stars Hollow inglesa

por chocochino, em 14.10.12

Eis que após várias semanas de expectativa da Filipa quanto à terra que nos acolherá nos próximos tempos eis que chegou o momento do contacto inicial.

 

Depois das conversas iniciais via skype de que se tratava de uma terra pequena, das visualizações via google earth em que apenas se via um café e muito poucas pessoas na rua, há que reconhecer que não eram de expectar grandes coisas cá da terra mas... Não há nada como baixar as expectativas para que estas sejam superadas e após 2 semanas em Fleetwood aqui ficam as primeiras impressões da Filipa quanto à terra:

 

"Fleetwood - a Stars Hollow inglesa

 

Em primeiro tenho que esclarecer que Stars Hollow é uma cidade fictícia da série de televisão Gilmore Girls (Tal mãe, Tal filha). Neste adorável sítio a vida passava lentamente apesar de existirem imensas personagens excêntricas e um presidente de junta empenhado em fazer daquele pacato sítio um agitado centro turístico.

 

Pois bem, Fleetwood, embora não esteja listada como uma das inspirações para criar Stars Hollow, tem o mesmo ambiente. É uma cidade pequena, onde a agitação mais profusa ocorre na rua principal. Aí podemos encontrar comércio tradicional de todas as espécies e feitios (talhos orgulhosos na sua mostra de carne fresca, pastelarias cheias de cupcakes e scones, cabeleireiros que parecem mais cafés, fish bars, etc) e um mercado coberto e a céu aberto. A população, maioritariamente idosa, faz as suas compras sem pressa, com tempo para se cumprimentarem e se sentarem nos cafés disponíveis a comer o famoso pequeno-almoço inglês.

 

Uma bica bem tirada e a preço compatível com vícios portugueses falta, de facto, nos cafés de Fleetwood (e suspeito que em todos por esta ilha). No entanto sobra em carpete (um fetiche inglês a que nem as casa alugadas escapam) e ambiente aconchegante. É óbvio que os habitantes de tal sítio não querem que um estranho se sinta mal na sua terra e portanto das vezes que fui experimentar café acabei a fazer parte das conversa que decorriam nas minha imediações, desde a habitual conversa de circunstância sobre o tempo, a outras mais sociológicamente profundas sobre os problemas da juventude de hoje em dia ou ainda sobre a temática dos peixes espanhois...

 

Depois de ler o boletim cultural da terra, uma pessoa não pode deixar de imaginar o presidente da junta igualzinho ao de Stars Hollow (Taylor). Numa cidade com cerca de 27 mil pessoas, há mais actividades comunitárias que em Lisboa (estou certa mas sem pesquisa bibliográfica). Estão disponíveis clubes de leitura, arranjos florais, fotografia, turismo, cricket, aulas de ginástica (até de qui gong!?), etc. Uma loucura! Só resta saber a média de idades de tais clubes e se não serão sempre a mesma dezena de pessoas a frequentá-los.

 

Mas a agitação não acaba aqui... também existe um local de romaria capitalista na forma de Freeport junto a uma pequena marina e uma marginal de 8 km até Blackpool. Não sei se hei-de listar a praia como parte da agitação pois o clima não me parece que ajude.

 

Hoje, para cimentar o feeling de Stars Hollow, a passear na rua deparámo-nos com um grupo de idosos a cantar que nem canas rachadas guiados por um agitado professor (certamente o resultado de um clube de coro). Mais tarde no mercado pudemos assistir às compras de um homem vestido de malmequer acompanhado por um travesti (aqui já não consigo imaginar que seja fruto de um clube).

 

E assim se vive por cá..."

 

FLEETWOOD, POR CÁ ANDO:

 

EU TRABALHO AQUI
E VIVO AQUI
GOSTO DE PASSEAR POR AQUI
E POR AQUI
COMPRO CARNE AQUI
E AQUI TAMBÉM
AQUI BEBE-SE CAFÉ
E AQUI CERVEJA
AO DOMINGO À QUEM VENHA AQUI
Foto-reportagem da vida por cá... (em seleccionados dias de sol)

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publicado às 15:24


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