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O comboio de sexta feira para Blackpool

por chocochino, em 22.09.12

Hoje apanhei pela última vez (pelo menos de forma regular) o comboio de sexta feira entre Preston e Blackpool. Chegaram ao fim as 4 semanas de treino em Preston e para a semana começo em Fleetwood com uma semana de preparação da farmácia antes da grande abertura na semana seguinte.

 

Para trás ficam 4 semanas de treino com exercícios com extintores, passeios pelos armazéns do supermercados, conhecimento das normas de segurança de empilhadores de paletes, "escadas de aeroporto", como correctamente levantar pesos... Para quem está confuso, não, eu não vou trabalhar no supermercado, vou mesmo trabalhar em farmácia!

 

Continuo pouco certo quanto à utilidade destas 4 semanas mas tenho que reconhecer que até foi interessante conhecer o outro lado dos supermercados e atravessar todas aquelas portas assinaladas "proibida a entrada a pessoas estranhas ao serviço".

 

Voltando ao comboio de sexta feira para Blackpool, terminei eu o último dia em Preston, voltei ao hotel a buscar as malas com todos os meus pertences e arrastando tudo aquilo atrás de mim lá apanhei o autocarro para a estação de comboio de Preston onde depois de uma pequena espera lá chegou o comboio de sexta feira para Blackpool North.

 

Coloquei malas, sacos e mochila a bordo e finalmente foi recostar-me num lugar vago da carruagem onde o cheiro a alcool, o barulho de gargalhadas exageradas, conversas cruzadas e a confusão imperavam. Pelo chão passeavam pacotes vazios de batatas fritas enquanto as mesas entre os assentos eram preenchidas por garrafas de vodka, latas de cerveja ou garrafas de cidra. Estaria eu horrorizado com o cenário? Nada disso, pois este é o cenário comum do comboio de sexta feira para Blackpool. Blackpool é conhecido como um destino por excelência para despedidas de solteiro e para todos aqueles procuram diversões nocturnas e festa em geral, quer para crianças, jovens e adultos em geral.

 

Com esta descrição do comboio certamente estão a imaginar uma carruagem repleta de adolescentes alcoolizados, talvez uns quantos hooligans ou mesmo uns vandalos ou skinheads, mas aí é que está a peculiaridade da situação: em toda a carruagem eu devia ser a pessoa mais nova, pois todas aquelas vodkas, cervejas e cidras estavam a ser consumidas por diversos grupos todos eles na casa dos 50. Eram senhoras anafadas de cabelo demasiado loiro e vozes estridentes agarradas a garrafas de cerveja ou eram senhores de cabelos grisalhos  e dentes amarelados pelo tabaco que se riam das suas próprias piadas por entre garrafas de bebidas brancas.

 

Portanto, lá estava eu no meu lugar a tentar ler o meu livro por entre aquela algazarra enquanto pensando para mim mesmo não conseguia chegar a nenhuma conclusão: se aquilo que estava a desenrolar à minha volta era o cúmulo da decadência ou um sinal de vitalidade de um grupo etário que em vez de estar em casa a queixar-se da vida estava ali rumo a Blackpool com um único intuito, o da diversão.

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publicado às 14:32

Diversidade e variedade

por chocochino, em 15.09.12

Hoje tendo começado o dia com um passeio pela praia de Blackpool, uma paragem para um capuccino italiano, um pastel de nata português (ou aproximado) - para o qual fui devidamente avisado pela simpática dona (portuguesa) do café de que não se comparava com os portugueses. Seguido de paragem para almoço com uma Pint de Guiness Irlandesa e uma sandes de canguru Australiana não pude deixar de ficar surpreendido com o quão envolvidos pela globalização estamos nos dias de hoje - o que não deixa de ser em partes iguais excitante e assustador.

 

Quanto à sandes de canguru há que reconhecer que tem um sabor e consistência diferentes das carnes de vaca ou porco, talvez se aproximando mais da vitela, sendo bastante saborosa.
A outra novidade do dia foi a descoberta de portugueses por estas bandas, o que não é de todo surpreendente, lá se diz "que em cada canto do mundo há um português".
Não posso dizer que a descoberta tenha sido obra do acaso pois no hotel em que tenho ficado durante os fins de semana, o dono sabe que sou português e já na semana passada já me tinha dito que havia um café de portugueses na cidade mas nesse fim de semana não tinha chegado a ir lá.
Assim, hoje pela manhã lá fui à descoberta desse pedaço de pátria, que curiosamente se chama London Café... Entrei pedi um capuccino e uma nata que estava anunciado na porta (isto em ingles) ao que a senhora do outro lado do balcão responde:
- "Português?"
Fiquei a conversar com ela um pouco e fiquei a saber um pouco mais da pequena comunidade portuguesa de Blackpool, que se resume a 3 casais (2 dos quais casados com ingleses/inglesas) todos já por Inglaterra há mais de 10 anos.
Quanto ao pastel de nata, ela avisou logo que não era como os portugueses pois não tinham forno industrial para atingir altas temperaturas e de facto não estava estaladiço, mas foi um gostinho de Portugal.
Ainda no tema da globalização e diversidade há que referir uma diferença cultural relativamente à Irlanda que se prende com o facto de se verem muito mais etnias no dia a dia, de indianos a asiáticos, de muçulmanos a judeus, de mulheres de burka negra a homens de turbante, todos convivendo em aparente harmonia. E o mesmo se passa na ASDA onde é comum ver colegas de turbante e barbas longas, mulheres de lenço na cabeça ou a cobrir a cara, existe uma sala de oração para aqueles cuja religião os obrigue a rezar várias vezes por dia e assim há quem tenha pausa para café, outros para fumar e outros ainda para orar.
Há que reconhecer que está a ser uma experiência multicultural bastante interessante.

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publicado às 15:45

Brekkie

por chocochino, em 09.09.12

Vamos uma primeira incursão culinária pela gastronomia britânica:

 

English breakfast ou carinhosamente designado brekkie

 

- Salsichas

- Bacon

- Ovo estrelado

- Black pudding (algo tipo morcela)

- cogumelos

- Bolo de batata

- Feijão em molho de tomate

 

Tudo frito em óleo qb...

 

 

 

 

Apresentada esta instituição da culinária britânica a questão que se põe é a seguinte: serão os turistas os únicos a consumir esta bomba calórica?

 

Passadas que estão mais de 2 semanas por estas bandas vamos a recapitular:

 

- Primeiro dia na ASDA House em Leeds tivemos direito a pequeno almoço antes de iniciar a ordem de trabalhos e não há nada como iniciar o dia como com duas salsichas fritas e oleosas dentro de um papo-seco... pensando melhor talvez haja.

 

- 2 semanas na Store of Learning de Preston temos sempre uma pausa às 10 da manhã para brekkie onde felizmente além do pequeno almoço cozinhado também há cereais e assim normalmente sentados às mesas estamos 2 com um taça de cereais e 8 com pratos enormes cheios de salsichas, bacon, feijão e afins e não estou a falar de um dia por outro, eles comem isto todos os dias! E os da cantina da ASDA não têm o bom aspecto do que está na fotografia... E se não bastasse a maioria ainda vai buscar saquetas de molhos para por por cima... viva o colesterol!

 

Na semana passada conheci o farmacêutico que vai estar comigo em Fleetwood durante 2 semanas a ajudar na abertura da farmácia e se esperam bom senso nutritivo da parte de um profissional de saúde, fiquei abismado com o que ele conseguia empilhar no prato: 4 salsichas, 3 fatis bacon, 2 ovos estrelados, cogumelos fritos, bolos de batata oleosos tudo isto empilhado num mar de feijão e ketchup... o mais inacreditável é que o rapaz é magro que nem um espeto...

 

Mas também tenho confessar que nos fins de semana em que estou hospedado em hoteis e B&Bs e com tempo para pequeno almoço também tenho optado por brekkie tradicional com tudo aquilo a que tenho direito e não posso negar que não seja saboroso, mas acho impossível que se consiga comer todos os dias... pronto, impossível não é, porque os ingleses fazem-no e deleitam-se fazendo-o.

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publicado às 19:59

ASDA

por chocochino, em 03.09.12

Ainda ando um pouco às voltas a tentar perceber naquilo em que vim meter.

 

Para quem não sabe vim trabalhar para uma empresa chamada ASDA que faz parte do grupo WAL-MART (americano)

 

E a ASDA é uma cadeia de supermercados que entre outros departamentos tem também um de farmácia.
Até hoje ainda não entrei na farmácia, nem ninguém me perguntou se sei o que é um paracetamol mas em contrapartida tenho tido imensa formação relativamente a estilos de liderança, gestão de pessoal, lei de comércio, etc.
O inicio desta minha aventura no seio do grupo ASDA teve lugar em Leeds onde eu e mais 170 novos gestores, de diversos departamentos tivemos 2 dias de boas vindas e para mim a primeira introdução ao espírito da ASDA... que assenta em 3 pilares: serviço aos clientes; respeito pelo individuo e busca da excelência...
Parece tudo muito bonito mas começou de forma algo assustadora numa sala com 170 adultos a bater palmas e a gritar:
"- Give an A
- A
- Give me a S
- S
- Give me a D
-D
-Give me an A
- A
-What does that spell
- ASDA"
Depois qualquer coisa sobre poupar dinheiro aos clientes e que envolvia uma coreografia em que primeiro se batia no bolso traseiro das calças de um lado e depois do outro.
Portanto 170 adultos fechados numa sala a bater no traseiro...
Depois deste belo momento foi altura de comprimentar a pessoa ao nosso lado, olha-la nos olhos e dizer "Parabéns por teres chegado aqui" - mais um momento tipo seita...
Eventualmente depois disto tudo tivemos várias apresentações sobre a história da ASDA do grupo WAL-MART, a cultura da empresa, valores, etc.
Caso estejam interessados ficam a saber que tudo isto começou como uma cooperativa de produtores de leite que depois se foi expandindo a outras áreas, incluindo a da farmácia.
Quanto à cultura eles estavam muito orgulhosos do facto terem passado de uma liderança do tipo quero, posso e manda para uma abordagem mais delicada e envolvente para com todos os colegas. Uma curiosidade é tratarem todos os funcionários da empresa por colegas (até certo ponto faz lembrar o PCP a tratar os membros por camarada) outra prende-se com o código de vestuário em que os gestores têm de usar vestuário formal (camisa e gravata) mas não podem usar casaco por ser considerado que usar fato completo dá uma impressão de maior distanciamento para com os colegas.
Suponho que tudo isto tenha a ver com a influencia americana da WAL-MART mas por outro lado continua com influencias inglesas pois o mesmo código de vestuário que proibe o uso de casaco também expecifica que o único nó de gravata aceitável é o WINDSOR e assim passei a minha primeira noite em Inglaterra a procurar na net como raio se faz o nó Windsor...
Como podem ver a vida de um farmacêutico a trabalhar para a ASDA não é nada facil...

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publicado às 21:39


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